
Para aliviar as
contas do município, a Prefeitura de Anagé, no interior baiano, demitiu os sete
médicos da Saúde da Família e os substituiu por sete profissionais do programa
federal Mais Médicos.
A economia no caixa da prefeitura do PT será de cerca de R$ 50 mil ao mês.
Os médicos demitidos recebiam salário de R$ 8.000, pagos pelo cofre municipal.
Já os profissionais do programa recebem bolsas de R$ 10 mil, bancadas
integralmente pelo governo federal.
Os médicos foram demitidos entre novembro e dezembro. Desde então, a cidade
recebeu do Mais Médicos três profissionais brasileiros e quatro cubanos, sendo
os estrangeiros neste mês.
As demissões pegaram de surpresa os moradores da cidade de 20 mil habitantes a
523 quilômetros de Salvador, já que a prefeita Andrea Oliveira Silva (PT) havia
baixado decreto em outubro no qual excluía professores e médicos dos corte de
gastos.
O secretário de Saúde, Alan Prado, disse à reportagem que o custo com os
médicos estava alto e que "o município está em situação financeira
complicada".
"A cada mês, o município estava acumulando uma bola de neve, sem ter
condições de pagar", declarou Prado, que admite rever a decisão e
contratar novos médicos a partir do mês que vem. "Com o recurso mais
equilibrado, vamos contratar de novo."
Em agosto do ano passado, logo após o lançamento do programa, a Folha mostrou
que já havia prefeituras substituindo ou anunciando a substituição de seus
profissionais pelos contratados pelo Mais Médicos.
Na ocasião, o Ministério da Saúde chamou a manobra de "inadmissível"
e informou que esses municípios poderiam ser excluídos do programa. Ontem, em
nota, a pasta voltou a dizer que "criou uma trava" no sistema para
evitar esse tipo de substituição e que, no ato de adesão ao Mais Médicos, as
prefeituras se comprometem a manter todas as equipes formadas e a não trocarem
profissionais já contratados na cidade.
No caso de Anagé, o ministério disse ter notificado a prefeitura e aguarda uma
resposta do município.
Para o represente do Conselho Regional de Medicina no sudoeste da Bahia, Luiz
Carvalho, "Anagé não precisava desses médicos [do Mais Médicos] porque o
quadro estava completo". "A prefeita demitiu porque quem vai pagar é
o governo federal."
Em Anagé, a moradora Ivonete Santos, 35, diz que nada mudou com a substituição
dos médicos. "Está a mesma coisa, pois chegou um médico e saiu outro. Bom
seria se tivesse mais médicos mesmo no posto", disse, logo após ser
atendida pela cubana Noélia Rodrigues, 55.
Ainda no município, mas em um povoado a 150 quilômetros do centro, a população
comemora a substituição, já que o casal de cubanos Rigal Predomo e Marta Pacon
faz um atendimento integral.
"Antes, os médicos que atendiam aqui iam embora depois das 14h. Agora,
eles atendem até emergência de noite, se for o caso, pois ficam por
perto", disse a dona de casa Rosângela Gomes, 31. Informações e foto do
Jornal Folha de São Paulo.